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Guia de Rolamentos: como escolher, entender códigos e evitar falhas

  • Foto do escritor: Eixo Forte
    Eixo Forte
  • 25 de dez. de 2025
  • 5 min de leitura
Vários rolamentos automotivos e industriais em aço, incluindo rolamento de esferas e rolamento de rolos cônicos.
Rolamentos industriais com variações de vedação: 2RS (borracha) e ZZ (blindagem metálica)

Se você já precisou substituir um rolamento “simples” e acabou comprando o modelo errado, sabe o custo real do erro: retrabalho, parada de máquina, dano em eixo/carcaça e perda de tempo com trocas. Este guia foi feito para resolver isso de forma objetiva.


Aqui você vai aprender:

  • quais são os principais tipos de rolamentos e quando usar cada um

  • como medir e identificar um rolamento corretamente

  • como ler códigos (ex.: 6205-2RS-C3)

  • diferença entre 2RS e ZZ

  • quando usar folga C3 e outras folgas

  • como reduzir falhas por montagem e lubrificação


Ao final, deixamos um checklist de cotação para você copiar e enviar no WhatsApp e receber a recomendação correta.


Para que serve um rolamento (e por que ele falha)

O rolamento reduz atrito entre partes móveis e permite rotação com eficiência. Na prática, ele “paga a conta” de:

  • carga (radial e/ou axial)

  • rotação (RPM)

  • temperatura

  • contaminação (poeira, água, cavacos)

  • desalinhamento e montagem


A maioria das falhas não acontece porque o rolamento é “ruim”, mas por:

  1. contaminação (vedação inadequada, ambiente agressivo)

  2. lubrificação incorreta (tipo errado, excesso ou falta)

  3. montagem inadequada (força no anel errado, batidas, prensa incorreta)

  4. especificação inadequada (folga, vedação, classe, tipo)


Componentes de um rolamento de esferas: anel externo, anel interno, esferas, gaiola e blindagem.

Partes do rolamento: entenda a anatomia

Antes de escolher, vale entender o básico:

  • Anel interno: encaixa no eixo

  • Anel externo: encaixa na carcaça/mancal

  • Elemento rolante: esferas ou rolos (onde a carga “trabalha”)

  • Gaiola: mantém espaçamento dos elementos rolantes

  • Vedação/Blindagem: protege contra contaminantes e retém lubrificante


Essa anatomia ajuda a entender por que “parece igual, mas não é”.


Comparativo visual de rolamentos industriais: rolamento rígido de esferas, rolamento cônico, rolamento de agulhas, rolamento axial, autocompensador e UC/mancal

Tipos de rolamentos e quando usar cada um

Abaixo estão os mais comuns em revendas e manutenção:

  • Quando usar: aplicações gerais, motores, ventiladores, polias, máquinas diversas

  • Vantagens: versátil, bom custo-benefício, ampla disponibilidade

  • Observação: lida melhor com carga radial; tolera alguma carga axial (dependendo do caso)


2) Rolamento de rolos cônicos (tapered)

  • Quando usar: rodas, eixos com carga combinada (radial + axial), máquinas com esforços maiores

  • Vantagens: excelente para cargas combinadas; robusto

  • Atenção: montagem e ajuste são críticos (pré-carga/folga)


3) Rolamento de agulhas

  • Quando usar: espaço reduzido e alta carga radial (dependendo do arranjo)

  • Vantagens: compacto; grande capacidade radial no diâmetro externo pequeno

  • Atenção: sensível a desalinhamento; exige boa condição do eixo/pista


4) Rolamento axial (de encosto)

  • Quando usar: quando a carga é predominantemente axial (empuxo)

  • Atenção: não é substituto de rolamento radial; precisa estar no arranjo correto


5) Rolamento autocompensador (esferas ou rolos)

  • Quando usar: desalinhamento, flexão de eixo, bases com variação

  • Vantagens: tolera desalinhamento sem “matar” o rolamento rapidamente

  • Atenção: geralmente mais caro; deve fazer sentido no custo total


  • Quando usar: sistemas de fácil manutenção (agro, transportadores, estruturas)

  • Vantagens: troca prática; boa disponibilidade

  • Atenção: vedação e alinhamento do conjunto importam muito


Como medir um rolamento (ID, OD e largura)

Se você não tem o código (ou está ilegível), a identificação por medida resolve.

As 3 medidas básicas:

  • ID (diâmetro interno): medida do furo (eixo)

  • OD (diâmetro externo): medida do anel externo (carcaça)

  • B (largura): espessura do rolamento


Dica de balcão que evita erro: Meça com paquímetro e confirme com o rolamento antigo em mãos. Em aplicações críticas, confirme também o tipo de vedação (2RS/ZZ) e a folga (C3 etc.).


Como ler código de rolamentos: 6205, vedação 2RS e folga C3; exemplo 6306ZZ C3.

Como ler o código do rolamento

Os códigos variam por fabricante, mas a lógica é parecida. Veja um exemplo comum:

Exemplo: 6205-2RS-C3

  • 62 = série (relacionada à “família” e robustez do rolamento)

  • 05 = código do diâmetro interno (em muitos casos, 05 = 25 mm)

  • 2RS = vedação de borracha em ambos os lados

  • C3 = folga interna maior que a normal


Outro exemplo:6306-ZZ

  • 63 = série mais robusta do que 62 (em regra geral)

  • 06 = diâmetro interno correspondente

  • ZZ = blindagem metálica em ambos os lados


Importante: existem exceções e variações. Para evitar substituição errada, use o checklist do final e informe a aplicação.


Rolamento 2RS (vedação de borracha) ao lado de rolamento ZZ (blindagem metálica).

Vedação e blindagem: 2RS vs ZZ (e quando escolher)

Essa é uma das maiores fontes de erro em compra.


2RS (vedação de borracha)

Indicado quando:

  • há poeira, umidade, respingos, ambiente agressivo

  • você quer reter melhor a graxa

  • a prioridade é proteção e durabilidade


Ponto de atenção:

  • tende a aumentar o atrito em altas rotações, dependendo do projeto

  • em aplicações de altíssimo RPM, escolha precisa ser técnica


ZZ (blindagem metálica)

Indicado quando:

  • ambiente relativamente limpo

  • necessidade de menor atrito do que 2RS (em muitos casos)

  • aplicações com rotação maior e menor contaminação


Ponto de atenção:

  • protege menos contra água/poeira fina do que vedação adequada

Regra prática:

  • Ambiente com contaminação → prefira 2RS (ou estratégia de vedação externa + graxa correta)

  • Ambiente limpo e rotação alta → ZZ pode ser adequado, se houver dúvida, informe aplicação e ambiente na cotação.


Folgas internas (C2, C3, C4): quando aplicar

Folga interna é um tema que parece “detalhe”, mas decide vida útil.

  • Normal (CN): padrão para muitas aplicações gerais

  • C3: folga maior que a normal

  • C4: folga ainda maior (casos específicos)


Quando C3 costuma fazer sentido

  • temperatura de operação mais alta (dilatação)

  • interferência mais forte na montagem (eixo/carcaça)

  • motores elétricos e aplicações onde aquecimento/ajuste reduzem a folga efetiva

  • alguns casos de rotação e carga que exigem margem


Risco de errar na folga:

  • folga baixa demais pode gerar aquecimento e falha prematura

  • folga alta demais pode gerar vibração, ruído e desgaste


Se você não tem certeza, informe: RPM, temperatura aproximada, tipo de encaixe e aplicação.


Precisão e tolerâncias (P0/P6/P5): quando vale a pena

A classe de precisão influencia vibração, ruído e desempenho em alta rotação.

  • P0 (normal): maioria das aplicações industriais gerais

  • P6: melhora de precisão para demandas maiores

  • P5: aplicações mais exigentes (alta rotação, menor vibração, maior controle)


Regra prática: não é “melhor sempre”. É “melhor quando a aplicação pede”.Quando o custo de parada é alto ou a aplicação é sensível (vibração/ruído/alta rotação), vale avaliar classe superior.


Aplicações comuns: recomendações práticas

Rolamentos para motor elétrico

  • Verificar: rotação, temperatura, folga (muitas vezes C3), vedação conforme ambiente

  • Erros comuns: excesso de graxa; montagem com impacto; escolher vedação sem considerar aquecimento


Rolamentos para bomba

  • Verificar: umidade/vedação, contaminação, alinhamento, qualidade da graxa

  • Erros comuns: não tratar causa raiz (vedação externa e ambiente), trocar só o rolamento


Rolamentos para redutor / transmissão

  • Verificar: cargas, arranjo axial, interferência, qualidade

  • Erros comuns: substituição por “parecido”; ignorar carga axial e ajuste


Agro e ambiente severo (poeira/água)

  • Prioridades: vedação (2RS), proteção externa, lubrificação certa, marca/linha adequada ao esforço

  • Erros comuns: escolher ZZ em ambiente com poeira e lavagem; falta de padrão no estoque crítico


Falhas comuns em rolamentos: pista marcada, contaminação com graxa escura e sinais de aquecimento em componentes do rolamento.

Diagnóstico rápido: barulho, aquecimento e vibração

Use como triagem:

Se está fazendo barulho

  • suspeite de contaminação, desgaste, folga inadequada, montagem com dano, desalinhamento

  • ação: revisar vedação/ambiente e procedimento de montagem


Se está esquentando

  • suspeite de folga inadequada (baixa), interferência excessiva, excesso de graxa, carga elevada

  • ação: confirmar folga (CN/C3), checar ajuste no eixo/carcaça e revisar lubrificação


Se está vibrando

  • suspeite de desalinhamento, folga excessiva, dano por montagem, eixo/carcaça fora de especificação

  • ação: verificar alinhamento e condição de alojamento


Checklist de cotação – Rolamentos

  1. Código do rolamento (se tiver): ________

  2. Se não tiver código: medidas ID x OD x B: ________

  3. Aplicação: motor / bomba / redutor / roda / agro / outro: ________

  4. Ambiente: limpo / poeira / umidade / lavagem / alta temperatura: ________

  5. Vedação desejada: 2RS / ZZ / aberto / não sei: ________

  6. Folga: CN / C3 / não sei: ________

  7. Rotação aproximada (RPM) e temperatura (se souber): ________

  8. Há carga axial? (sim/não/não sei): ________

  9. Urgência e quantidade: ________


Com essas informações, a loja consegue indicar a opção correta e, quando aplicável, alternativas seguras.


Perguntas frequentes (FAQ)


“Posso trocar 2RS por ZZ (ou o contrário)?”

Depende do ambiente e da rotação. Em geral, não troque sem avaliar contaminação, temperatura e necessidade de vedação.


“Sempre devo usar C3 em motor?”

Muitas aplicações usam C3, mas não é regra universal. Depende de temperatura, interferência e projeto do conjunto.


“Dá para substituir um rolamento por ‘equivalente’?”

Às vezes sim, às vezes não. A substituição segura exige checar tipo, folga, vedação, carga e precisão.


“Por que o rolamento novo estragou rápido?”

Normalmente a causa raiz é contaminação, lubrificação ou montagem. Trocar a peça sem corrigir o processo repete o problema.


Se você quiser, envie o código (ou as medidas ID x OD x B) e a aplicação. Nós retornamos com a recomendação correta (vedação/folga) e o orçamento com as opções mais adequadas ao seu custo-benefício.

 
 
 

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Monograma EF da Eixo Forte Rolamentos em formato de rolamento

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